domingo, 7 de junho de 2009

EVA REVISITADA: de mulher à mãe de todos os viventes

Não há como negar, a perspectiva social está imbricada na vivência corporal de gênero, no construir-se homem ou mulher. Em outras palavras, cada civilização, cada cultura concebe e se relaciona com o corpo de maneira singular, criando "dogmas", pensamentos e ações no que diz respeito ao corpo físico e à sexualidade por ele vivenciada, "naturalizando" e universalizando conceitos e regras, principalmente no que concerne à mulher. Assim pode-se dizer que a sexualidade é "construída" recebendo influências da natureza, do meio ambiente, do momento sócio-histórico, contextualizada na história da humanidade que para nós ocidentais está representada no mito de "eva e adão no jardim do paraíso". A história é manjada, independente do credo religioso, temos todos, marcado a ferro e fogo a Culpa atribuída a Eva que por ser gulosa e "curiosa" foi expulsa, juntamente com Adão, desse Nirvana Idílico.
A primeira questão sugida com a expulsão foi a da diferença de sexos: _ Eu sou homem, você é mulher, por sua causa perdemos a boa vida, mas ganhamos a sexualidade, por essa fico seu devedor porque o que você mulher descobriu com sua desobediência é a razão de estarmos aqui: _ De mulher você passará a mãe de todos os viventes...
Até que esse Adão era compreensivo e companheiro mas as más línguas dirão que isso se deve a ausência da mãe, afinal, como vimos a instituição maternidade surgiu com a desobediência da Eva. O ilustre casal se uniu pelo "pecado"; Eva gerou filhos na dor e inaugurou o protótipo da Família com tudo que lhe é de "direito natural": ciúmes, inveja, fratricídio, incesto, paixões... mais culpa e mais castigo. Eva calada... sobrevive por séculos e séculos.